ARTIGOS


REIVINDICAÇÃO E REPÚDIO 

Conferindo Regimento Interno da III Conferência Estadual de Cultura, em todo seu teor, não se encontrou sequer citada uma só vez a cultura da imigração. Lamentável! Externamos repúdio uma vez que Santa Catarina sempre foi propalada ser um estado de tamanha diversidade cultural dada às etnias formadoras de seu povo e que contribuíram para o desenvolvimento e para o progresso deste estado.

Ser a etnia italiana a segunda mais numerosa de imigrantes para o Brasil; Santa Catarina possuir mais da metade de sua população de descendentes de imigrantes italianos; lamentável passar despercebida uma cultura tão propalada, amplamente cultivada pelos próprios grupos, registrada, tendo inúmeras pesquisas e com um acervo bibliográfico considerável, facilmente verificado em discursos, registros diversos e sites..., manifesta-se repúdio público o fato do Regimento Interno em todo seu teor não citar uma vez sequer a cultura dos imigrantes. Mais, pelo fato de Santa Catarina ser um estado onde grupos de imigração constituem a maioria de sua população, e de sua colonização herdamos a religiosidade, a fé, o trabalho, a culinária, cultivo dos vinhos, jogos, costumes, canto, dança, dentre infinidade de outros costumes, juntamente com forte influência na economia para o país e nas exportações. 

Lamentável que cidades como Brusque, Nova Trento, Botuverá, Rio dos Cedros, Laguna, Tubarão, Azambuja, Urussanga, Pedras Grandes, Criciúma, Nova Veneza, Grão Pará, Cocal, Treze de Maio, Turvo, dentre outras no Sul e as cidades do Meio Oeste ao Extremo Oeste, como Água Doce, Caçador, Capinzal, Concórdia, Erval Velho, Jaborá, Lacerdópolis, Macieira, Ouro, Pinheiro Preto, Pres. Castelo Branco, Salto Veloso, Videira, Águas de Chapecó, Águas Frias, Arvoredo, Caxambu do Sul, Chapecó, Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Formosa do Sul, Galvão, Irani, Jardinópolis, Lageado Grande, Lindóia do Sul, Marema, Nova Erechim, Planalto Alegre, União do Oeste, Anchieta, Caibi, Campo Erê, São José do Cedro, Serra Alta, Anita Garibaldi, Celso Ramos, Ponte Alta do Norte de colonização italiana, dentre outras tantas colonizadas juntamente com outras etnias sejam, assim, simplesmente excluídas;  

Lamentável Santa Catarina ser propalada a mais européia do Brasil, constituída por oitenta e cinco vírgula sete por cento (85,7%) de brancos, segundo IBGE em dados divulgados de dois mil e nove, nem sequer aparecer suas culturas, como também, por outro lado, não o é, de igual forma, inclusa em pesquisas deste instituto de pesquisa na identificação como grupos de imigração; 

Lamentável, enfim, de que, e dessa forma, o povo de Santa Catarina, formado pela maioria de imigrantes, esteja excluído de sua própria cultura. Imigrantes que se superaram após serem enganados com proposta inicial de oferecer terra para o trabalho na agricultura, ao invés, o verdadeiro projeto de governo era o de substituir os escravos na cultura do café e a branquear o povo brasileiro. Enganados no Sul do Brasil em que foram “despejados” em meio à mata sem o mínimo de estrutura, conseguem se superar mediante fé e trabalho árduo. No entanto, a sina para alguns grupos de agricultores parece não ter fim. Compraram do governo seus lotes de terra, que em alguns casos, estão há mais de um século cultivando no local, são agora ameaçados de “despejo”, pela remoção em um período que não conseguiram ainda superar perseguições, prisões e deboches impostos e sofridos durante o período nacionalista em que essas comunidades foram vítimas de um projeto que propunha um país unitário, ignorando a pluralidade cultural, dotado de uma política autoritária e excludente em que seqüelas perduram até nossos dias. Covardemente impedidos e interrompidos de repassar, naturalmente, suas culturas de geração a geração. Tal violência está ainda presente fortemente nos descendentes de imigrantes italianos, ao repetirem constantemente a expressão dopo l’oio, expressão esta que significa ficar melhor após efeito constrangedor do purgante - óleo de rícino e outros óleos não de uso oral - ao serem enfiados goela abaixo no intuito de calar e envergonhar suas culturas durante aquele período covardemente imposto por autoridades de governo.  

Lamentável não haver, até a presente data, mapeamento e inventario em municípios de colonização italiana e a reconhecer sua língua Talian e seu entorno cultural. Neste sentido informa-se de que o povo Talian deverá receber em breve a “certidão de nascimento” da sua língua, o Talian, primeira língua de imigração a ser reconhecida no Brasil e na América Latina. O reconhecimento do IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional dará ao Talian registro de Patrimônio Cultural Imaterial como Língua de Referência Cultural Brasileira. Este é o início de um longo e necessário trabalho para que a verdadeira história da imigração italiana seja pesquisada e dada a conhecer tanto na Itália como no Brasil.

Em pleno estado democrático, num momento em que o Sistema Nacional de Cultura se propõe a incluir toda a diversidade cultural existente no país, os grupos de imigração, entre eles os de etnia italiana, ainda serão ignorados, esquecidos, desprezados?

Diante de tudo isto posto, pergunta-se: qual será, doravante, o destino das entidades ítalo-brasileiras, legalmente instituídas, sem fins lucrativos e eminentemente culturais, ativas em todo o estado e representando fora deste estado? Qual destino estará reservado a dezenas de corais e grupos de dança

do grupo da etnia italiana? Qual (is) a(s) verdadeira(s) causa(s) dessa exclusão das culturas desses grupos descendentes de imigrantes que adotaram o Brasil, são brasileiros e que somaram e somam enormemente na construção e progresso deste país?

Entende-se que todos os grupos e comunidades culturais devem ser convidados e devem participar do Sistema de Cultura nas instâncias Nacional, Estaduais e Municipais. Apoiamos a participação dos povos indígenas e comunidades tradicionais citados nominalmente no Regimento Interno. Reivindica-se o mesmo direito para os grupos de imigração e os demais existentes no Estado de Santa Catarina e também não citados.

Requeremos o apoio do Estado de Santa Catarina através de todas as suas instituições para que a salvaguarda e a valorização da cultura taliana em todas as suas manifestações efetivamente aconteça.

 Assim sendo, espera-se que algumas providências sejam tomadas.

Atenciosamente,

Aliduino Zanella
Descendente de imigrante italiano de terceira geração.

  


DIREITO À VERDADE E À CULTURA


ÊXODO DE JOVENS DA AGRICULTURA FAMILIAR; ALGUMAS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

No Brasil, em 1940, havia cerca de 70% da população residindo no campo. A partir de então, inicia o êxodo rural. A população urbana aumenta e a rural diminui. A esse fenômeno, dois fatores decisivos contribuíram: a industrialização e a mecanização do campo. Cresce o setor industrial e o consequente desenvolvimento em ritmo acelerado da infra-estruturar urbana e do setor de serviços. A população urbana de 53 milhões em 1970 salta para 138 milhões de pessoas no ano 2000.

Desde o período colonial, o Brasil herdou práticas concentradoras de terras e até hoje apresenta problemas relacionados à sua distribuição. Um país predominantemente rural até 1960, cujas atividades eram realizadas pela agropecuária, passa a atrair pessoas do campo para suprir mão de obra em serviços, comércio e órgãos públicos da rápida e galopante industrialização urbana. É o êxodo rural, termo pelo qual se designa o abandono do campo por seus habitantes para os centros urbanos em busca de melhores condições de vida, fenômeno este que se deu em grandes proporções no Brasil na segunda metade do século XX, acompanhado da miséria de milhões de retirantes, morte aos milhares de fome, de sede e de doenças ligadas à subnutrição.

Em relação às terras, desde a colonização do Brasil, sua distribuição e o acesso a elas ocorreram de maneira desigual. Eram feitas através de transferência pública à iniciativa privada por concessões de Sesmarias que foi um instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção, pela comercialização, por trocas e legitimação de posses no decorrer dos tempos. O sistema de doação durou até 1820. Após esse período, por vinte anos seguidos, eram ocupadas livremente. Das Sesmarias originaram-se latifúndios. A monocultura da produção da cana-de-açúcar ocupou grande parte de terras.

A partir de 1850, outro fator contribuiu para que a terra ficasse nas mãos de poucos, pela implantação da Lei de Terras que definia que o acesso deveria ser feito por meio da compra de lotes. Para agravar a situação acima descrita, latifundiários “grilaram” grande parte das terras devolutas através da falsificação de títulos de propriedade. Período esse em que aumenta o número de posseiros de grandes propriedades e marca a formação das oligarquias rurais no Brasil. A Lei de Terras foi uma espécie divisora de águas em relação à distribuição, tanto na legitimação da propriedade privada e do latifúndio quanto a da demarcação das terras devolutas no Brasil.

Assim aconteceu, em síntese, a concentração de terras. Pequeno número de proprietários detinha e ainda detém a posse de milhões de hectares, enquanto milhões de pequenos e médios agricultores dividem o equivalente a 10% delas. Além da concentração, enormes propriedades eram/são improdutivas.
Com a industrialização na década de 50, provoca migração do rural para as grandes cidades, pois a indústria necessitava mão de obra, sendo da região nordeste o maior fluxo. Por não haver qualificação, eram aproveitados em subempregos nos serviços domésticos e na construção civil, sujeitando-se a quase escravidão, que resultava em condições mínimas de sobrevivência, acelerando miséria, criminalidade, prostituição...
 

Ainda, outros fatores contribuíram para a seqüência do grande êxodo rural no Brasil, como a decaída violenta da exportação da borracha no ano de 1906; o deslocamento de várias partes do país para o Planalto Central na construção de Brasília, em 1957 e a grande seca do Nordeste de 1879. Já na década de 60, após o golpe de 1964, devido à propaganda institucional que propalava crescimento do Brasil e a erradicação da pobreza, a urbanização acelerada e a construção civil, a oferta de emprego de mão de obra não qualificada cresce. Melhora condições de vida e isto chama atenção dos que ficaram nas áreas rurais acelerando ainda mais o êxodo rural.

Somando-se a esses fatores, causa do êxodo, há grande marginalização também no meio rural, fazendo com que os agricultores, principalmente os jovens, não acreditem em perspectivas de desenvolvimento neste meio, já que se depara com um grande litígio de empregos e de elementos que fascinam as pessoas mais jovens para as cidades. Mas, para muitos destes, o principal motivo que os leva a abandonar o campo não é a vontade de viver na agitação das cidades, e sim pela impossibilidade de alcançarem seu pleno desenvolvimento econômico através de atividades agrícolas.
Segundo o IBGE, haverá extinção do êxodo rural entre os anos de 2015/2020, com parcela esmagadora da população brasileira a viver em cidades, ou seja, mais de 90%, restando apenas 10% no campo. Isso significa de que pouco resta da sociedade rural que caracterizava o país nos anos 1940, quando cerca de 70% da população brasileira morava no campo.

O que o IBGE demonstra corrobora com um estudo realizado pela Universidade do Oeste Catarinense – UNOESC, ao revelar que o êxodo, o envelhecimento e a redução populacional ameaçam o futuro do oeste, conhecido como uma das regiões mais produtivas do planeta, o grande oeste catarinense – berço da avançada agroindústria brasileira – que vem sofrendo, nas últimas décadas, preocupantes mudanças e transformações. O agricultor dessa região produz frango, suíno, leite, fumo, é funcionário barato para as agroindústrias e sem amparo. A hora que a empresa não quiser mais, o descredencia sem direito algum. Da mesma forma, o sistema integrado, trabalha sob exploração, pois não tem hora de descanso nem aos domingos, alem de passar quase toda sua vida a pagar dívida de financiamento bancário na construção de aviário e chiqueiro.

A região Sul, apesar de contar com um dos maiores contingentes populacionais do país, com uma economia vigorosa, apresenta índice mais baixo de urbanização devido ao modo de como as atividades econômicas se desenvolvem. A pequena propriedade e o trabalho familiar é característica do modo de produção agrícola, o que ajudou a fixação no campo, modelo este passa por mudanças e o êxodo é uma realidade também nessa região como a falta de mão de obra, tornando impossível manter a propriedade. Por exemplo: uma propriedade rural com somente o casal de idosos de sessenta, setenta, oitenta ou mais anos de idade, forçosamente reduz atividade, desfazer-se do bem mais precioso que é a cultura da terra em que levou uma vida de trabalhos forçados para edificar sua propriedade com tanto sacrifício. Nesse caso, só lhe resta uma alternativa, a de cessar atividade de criação de suíno, galinha, vaca leiteira, pomar, parreiral, plantação de milho e outras culturas junto com a produção de doce, suco, queijo, dentre outros, produzidos artesanalmente na propriedade e isto quando não entregar sua propriedade a banqueiros ou madeireiros por débitos que não consegue mais saldar. Por essa involuntária passagem de sua vida, será possível imaginar seus sentimentos de angústia e dor?

Outros estudos apontam fechamento de escolas rurais em ritmo crescente, pela falta de alunos ou por serem transportados para escolas das cidades, além do incômodo de madrugar todos os dias, quase não há mais crianças, filhas de agricultores familiares a serem transportadas. Os motivos que justificam esta afirmativa são simples: o primeiro motivo tem a ver com o reduzido número de filhos, tendência das famílias dos últimos anos; o segundo motivo, dado às dificuldades de transporte, os pais optam por acomodar a criança na cidade em uma residência de parente de um parente, amigo ou em outra acomodação. Melhor do que acordar pelas quatro horas da madrugada, fazer uma longa caminhada até o ponto do transporte e retornar lá pelas treze horas. Cabe o transporte, salvo melhor observação, aos filhos de trabalhadores rurais temporários, safristas ou “meieiros”, sem terra e sem residência fixa. Lastimável! Consequência de política impositiva de governo que acredita ser fundamental para o acesso e permanência dos alunos das escolas da educação básica pública, preferencialmente residente em área rural. Essa viabilização é feita pelo Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) e pelo programa Caminho da Escola. Em relação ao transporte de alunos residentes na área rural para a cidade, parece não haver estudos de impacto que isso possa causar. No entanto, dois fatores podem ser observados e são evidentes: o êxodo e a aculturação.

Em relação ao primeiro, o êxodo de jovens, que, dentre as inúmeras causas apontadas pelas pesquisas, carece investigar consequências diretamente relacionadas com a aculturação pelo impacto entre distintos comportamentos, atitudes, valores dos que a criança convive na família do meio rural em relação aos encontrados na cidade. Atrativos por um lado e trabalho árduo enfrentado na agricultura, por outro.
A questão da aculturação - fenômeno de interação social que resulta do contato entre duas culturas, num processo em que duas culturas absorvem mutuamente suas características e costumes gerando uma nova referência em que apresenta traços da cultura inicial e da absorvida e não somente da sobreposição de uma a outra - no caso do êxodo de jovens da agricultura familiar para as cidades, não procede dessa forma, o que veremos a seguir.
Perante essa realidade discorre-se, sem pretensão em aprofundar, o conceito de cultura como sendo ”um processo dinâmico e aberto em que hábitos e valores são sistematicamente ressignificados. Por isso, a ideia de aculturação não pode ser vista como o fim de uma cultura, pois não há como pensar que um mesmo grupo social irá preservar os mesmos costumes durante décadas, séculos ou milênios. A cultura de um povo, para manter-se viva deve ser suficientemente livre para conduzir suas próprias escolhas, inovações e permanências” e de igual forma, não concordar com outro conceito em que define a aculturação “... como um processo de imposição cultural que ocorreu no Brasil colonial pela catequização dos índios, negros escravos e por meio de referências “civilizatórias” trazidas por portugueses, franceses e ingleses...”

Ocorre que o jovem inicia seus primeiros estudos na cidade ainda criança. Dois fatos lamentáveis que, somados, interferem diretamente na não continuidade/perpetuação da cultura original vivida pelos pais da criança e da comunidade rural. No primeiro caso, os pais ao recordarem do período em que foi proibido de falar outro idioma a não ser o português, ameaçados que foram, a partir de então não mais repassaram aos filhos suas culturas, em especial outra língua a não ser o português, no caso da imigração italiana, o Talian. No segundo caso, ao estudar na cidade ainda criança, passa a conviver e a aprender costumes vividos na cidade em que estuda. Lastimar de que a idéia de aculturação, nesse caso, é vista sim como o fim de uma cultura, pois às crianças e aos jovens lhes são imposta essa condição.

Para amenizar o grave problema, estão surgindo tímidas políticas de permanência do jovem, tais como, por exemplo, o programa Sucessão Familiar de incentivo às novas gerações rurais “... combinado com cultura e lazer acompanhado por processo planejado de sucesso familiar, permitindo aos filhos e filhas a gestão adequada do patrimônio transferido por seus pais”; - curso intitulado “Jovens Protagonistas” que objetiva estimular a permanência do jovem no campo com inclusão de aulas de valores humanos, educação ambiental, inclusão digital e oficinas profissionalizantes; - o Senar – Escola Rural ao ar livre que ministra treinamentos em salões comunitários por agrônomos, veterinários, zootecnistas, administradores, técnicos agrícolas, tendo formado mais de dois milhões de produtores rurais em cerca de setenta e sete mil treinamentos em Santa Catarina; - o “Terra Solidária” tendo conteúdo que dá ênfase à força política de militantes sindicais e capacitação profissional e escolarização promovido pela Fetral-Sul; - “Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf Jovem”; - “Nossa Primeira Terra”; - Programa Alimentação Escolar, destinado à compra de produtos da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, priorizando os assentamentos de reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas e destaque ainda para o Agro turismo, o qual incentiva a agricultura familiar – o turista, cada vez mais interessado em vivenciar a vida no campo, como fuga do cotidiano, dos grandes centros urbanos, da poluição do ar, visual e sonora, procura no ambiente rural o contato com as famílias produtoras, o contato com sua cultura e modo de vida, fazendo com que este mercado cresça e favoreça a permanência dos jovens no campo, pois se transforma em uma renda extra e incentivo à produção familiar. O Ministério do Turismo e o Ministério do Desenvolvimento Agrário apóiam e incentivam a estruturação de roteiros turísticos na agricultura familiar, como forma de preservação da vida no campo e inserção de seus produtos, como alimentos, bebidas e artesanato no mercado turístico. Para o desenvolvimento desta atividade, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego possui, em seu catálogo de cursos, “Agricultor Familiar”, onde a Instituição promotora do mesmo pode criar um plano de curso relacionado a este tema. O Instituto Federal Catarinense – Campus Sombrio, por exemplo, já formou uma turma e outra está em andamento, com o curso de Agricultor Familiar com ênfase em Turismo Rural, bem como outras duas turmas com o cultivo de morango entre inúmeros outros programas com intuito de manter o jovem no campo.

Outros fatores ainda revelam pesquisas de que filhos dos agricultores devem ser motivados a permanecer no campo desde a infância. Pouco ou de nada adianta incentivos após o jovem já ter se evadido do meio rural para a cidade. Ou ainda, adquirir/adquirido todo um comportamento mediante estudos determinados por uma política inadequada através da retirada do seu ambiente natural/cultural para outro completamente diverso, o da cidade.
Dizer, por fim, no caso específico do Talian, de que o breve período de pouco mais de cem anos em que uma nova língua fora formada, resultado da mistura de muitos dialetos trazidos pelos imigrantes italianos, presente em quase todo o Brasil, somado a omissão em sua salvaguarda por governantes, em muito menos tempo será extinta sua prática, restando somente seus registros, se não houver ações concretas imediatas para sua preservação.


21 DE FEVEREIRO - DIA NACIONAL DO IMIGRANTE ITALIANO – Lei nº 11.687
A data de 21 de fevereiro, segundo o senador Gerson Camata, do Espírito Santo, marca o dia da chegada, em 1874, da primeira expedição de italianos, a bordo do vapor “Sofia”. Um total de 380 famílias desembarcaram na cidade de Vitória para substituir a mão de obra escrava negra nas lavouras da região. Era o início da grande migração de italianos em direção ao Brasil, onde hoje vive uma população calculada entre 25 e 30 milhões de descendentes.
O projeto de Camata estipula ainda a inclusão da data no calendário comemorativo das escolas públicas e privadas de todo o Brasil. A criação de um dia específico para homenagear os imigrantes italianos – segundo a assessoria parlamentar de Camata - confirma a importância da contribuição do país europeu para o progresso brasileiro e consolida os laços de amizade entre as duas nações.


O MONGE JOÃO MARIA DO CONTESTADO
Palavra Livre – 17/04/2012 – Câmara Municipal de Vereadores de Caçador-SC
Ms. Aliduino Zanella - Presidente www.feibemo.com.br e Membro do
Conselho Municipal de Cultura da FMC

Após percorrer, em peregrinação, vários países das Américas, dentre eles Venezuela, Brasil, Argentina, Peru, Cuba, México e Estados Unidos. No Brasil, tem-se registros, após desembarque na Venezuela em 1837, de sua passagem primeiramente pelo Pará e após, tendo desembarcado no Rio de Janeiro no Vapor Imperatriz, em data de 19 de agosto de 1844. Caminhava pela América a serviço da Igreja, levando a palavra de Deus de quem se dizia um enviado. Sua fervorosa fé atraíra muita gente por onde ele passava, em busca de cura e milagres. Reunia-se, às vezes, mais de 3.000 pessoas em volta do monge santo, como ocorreu aos pés do Cerro Botucaraí, nas proximidades da vila de Rio Pardo, interior do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual foi preso em 17 de outubro de 1848. Em dezembro de 1848 foi deportado do Rio Grande do Sul e de igual forma, em maio de 1849, deportado do estado de Santa Catarina. Preso no Asilo São Cornélio e proibido de continuar suas pregações por ordem do chefe de polícia do Rio de Janeiro. Após libertado, tomou caminho incerto. Em toda essa trajetória deixou muitos vestígios, como cruzes, ermidas, oratórios... Refugiava-se nas florestas em cavernas ou grutas com boas fontes de água que os devotos acreditavam serem medicinais. Rezava, pregava o evangelho, erguia cruzes e fazia penitência. As pedras onde dormia tornavam-se pontos de adoração.
Em 24 de dezembro de 1844 fora registrado, como frei, em livro de estrangeiros em Sorocaba. Em Santa Catarina, região do Contestado, ficou conhecido por Monge João Maria. Caminhava pela América a serviço da Igreja, levando a palavra de Deus de quem se dizia um enviado.
Em 16 de abril de 1869, perto do povoado de Mesilla -Território de Novo México – Estado do Arizona, não notando fogo nessa noite do dia 16, sinal previamente combinado, devido ao perigo de ataque de índios apaches, sabiam que algo de mal havia acontecido. Um grupo de homens, na manhã sucessiva, saíram ao seu encontro. Seu corpo fora encontrado debruçado em cima de um crucifixo sobre a areia de um pequeno riacho, próximo a caverna onde habitava, com um punhal cravado nas costas. Junto a ele, uma série de objetos pessoais, os quais foram recolhidos por moradores locais como: hábito, manta, rosários, crucifixos, bíblia, cajado, e também uma série de papéis, como passaportes e cartas de recomendação indicando lugares e países por onde passou, escritos em vários idiomas, autobiografia e uma fotografia com data de 1862, indicando a cidade de Nova York como local do retrato. O mais impressionante, debaixo de suas vestes encontraram um “dispositivo pontiagudo”, segundo artigo da revista italiana “La Felice”. Ainda, segundo a mesma revista, algo de terrível, para ele, teria acontecido para levar essa vida de sacrifício e de tortura. Tendo estudado na universidade para padre e ainda não ter feito os votos, pois, dizem que estava em pecados. Duas prováveis versões a respeito contam, para ter deixado a Itália no ano de 1827 a peregrinar e a levar uma vida de penitenças. Na primeira, contam que havia cedido às insinuações de uma bela encantadora. Outros contam de que havia matado um primo. Não há uma versão que possa ser comprovada.
Seu nome verdadeiro: Giovanni Maria Agostini, nascido em 1799, na região de Piemonte Itália – o nosso Monge João Maria do Contestado que hoje fazem exatamente 143 anos de seu assassinato. Sua passagem pelo Sul do Brasil deixou saudades na memória do povo e que perdura até nossos dias.


21 DE MAIO DE 1974 - ANIVERSÁRIO DA MORTE DE DANTE MOSCONI
Palavra Livre – 22/05/2012 – Câmara Municipal de Vereadores de Caçador-SC
Ms. Aliduino Zanella - www.feibemo.com.br – Membro do Conselho Municipal de Cultura da FMC

Primeiramente faz-se necessário uma breve retomada de alguns fatos dos últimos tempos, mediante auxilio da História. Encontra-se nela, a História, que, anterior ao século XIX, esta vasta região possuía uma flora e fauna invejável. Aqui viviam povos nativos, como os Xokleng e os Kaingang. Densos pinheirais cobriam essas terras, juntamente com imbuias e outras madeiras nobres. No(s) rio(s), abundância de peixes e em meio à floresta, pássaros e animais silvestres nunca antes vistos pelo homem, adjetivado civilizado.
O povo nativo alimentava-se de peixes, caça e frutos do mato, somente o necessário para saciar a fome, e portanto, dessa forma, havia harmonia entre flora e fauna.
No final daquele século há registros da chegada dos primeiros descendentes de europeus como Francisco Correa de Mello, precursor, a se estabelecer na região tendo escritura do terreno, que os nativos nem conheciam tal registro. Diante da facilidade de encontrar alimento através da caça e da pesca, Francisco Correa de Mello passou a sobreviver destas e, possuindo arsenal de caça, desconhecido dos nativos, abatia além do consumo próprio, vendendo aos trabalhadores em construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande.
A harmonia, dessa forma, inicia sua quebra brutal: estampidos de arma de fogo ecoavam em meio à densa floresta, acompanhados dos estrondos das enormes e copadas árvores ao tombarem sobre outras árvores em meio à mata, mediante a instalação de gigantescas serrarias americanas com fins de explorar comercialmente a madeira, o que deixou o povo que vivia em meio à mata assustado e em sérias dificuldades financeiras.
Concluída a ferrovia e o fim da Guerra, denominada “Contestado”, entra em ação companhias colonizadoras a atrair das velhas colônias do Rio Grande do Sul, em sua maioria italianos, que logo se destacam na produção de trigo e uva, transformando esta região na primeira maior produtora de uvas e vinhos do estado. Juntamente com a atividade econômica da madeira realizada por dezenas e dezenas de serrarias, Caçador se desenvolve a categoria de município através do Decreto nº. 508 de 22 de fevereiro de 1934, instalando-se definitivamente em 25 de março do mesmo ano.
Esse extraordinário desenvolvimento inspirou a confecção da Bandeira e do Brasão que trazem, ao centro, o pinheiro, ladeado pelo trigo e pela uva. O Hino de Caçador também recorda esse desenvolvimento quando diz: “... Caçador capital da indústria, das parreiras e dos pinheirais...” e, “... A juventude que na escola, no esporte e outras mil....”
A Juventude que na escola, inclusa na letra, representa pioneirismo neste setor. Segundo artigo científico (2003), pode-se desvendar fatos, em especial pioneiras obras educacionais empreendidas em Caçador – SC, pelo casal, emigrante italiano, Dante e Albina Mosconi.
Com relação ao ensino, a escola de Educação Básica Paulo Scheiffler e Colégio Aparecida de Caçador, tiveram origem no Colégio Aurora, sob a coordenação de Dante. O curso primário, oficializado em 1934, adota o nome de Paulo Schiffler, ao desmembrar-se do Colégio.
O casal Mosconi, no Brasil, teve uma breve passagem por São Paulo e de lá a Sarandí - RS e, posteriormente, para Passo Fundo onde Dante trabalhou em projetos de construções, inclusive no Departamento de Engenharia da Prefeitura Municipal daquele município. Dona Albina ali lecionou Matemática e Francês no Colégio dos Irmãos Maristas.
Sobre a decisão de o casal Mosconi transferir-se para Caçador, não há uma versão conclusiva. Sem entrar no mérito da questão, o que importa para o momento é que o casal se estabelece em Caçador no início de 1928. De imediato, “Albina instalou e dirigiu uma escola municipal, que mais tarde passou para o Estado, sob a regência da professora Apolônia Capitulino Milis”. Dante inicia seus trabalhos na engenharia de construção de uma ponte sobre o Rio Jangada da estrada federal ligando São João, hoje Matos Costa, à fronteira com a República da Argentina.
Quanto à engenharia, evidencia largo campo de pesquisa, pois não há, até a presente data, um registro, uma catalogação ou pesquisa científica a respeito. Registrou o citado artigo, a Catedral São Francisco de Assis cujo arquiteto da obra foi Dante Mosconi. Em seis de outubro de 1940 foi abençoada a pedra fundamental da catedral, embora a construção já estivesse na altura das janelas. Em dezoito de outubro do ano de 1959 a obra, já concluída, foi inaugurada.
O casal repousa para a eternidade em jazigo localizado no Cemitério Municipal de Caçador. Em sua cabeceira ergue-se uma cruz já desgastada pelo tempo e defronte e abaixo da cruz, em seu epitáfio lê-se JAZIGO DAS FAMÍLIAS BRESCIANINI E MOSCONI. No mesmo jazigo, descansam duas famílias italianas: o pai de Dante, que falecera por ocasião de uma viagem de visita ao filho, à esposa Albina, o irmão, a cunhada e sobrinhos.
21 de maio de 1974 é a Data da morte de Dante Mosconi, nascido no dia primeiro de novembro de 1892, no comune di Cene Província di Bérgamo, Regione dela Lombardia-Itália.
Albina Mosconi faleceu no dia 16 de fevereiro de 1973, nascida também em Cene em data de 02/06/1884.
Duas escolas de educação básica, a Dante Mosconi de Caçador e a Albina Mosconi, do Município de Macieira, seus nomes foram adotados em sua homenagem. A Casa da Cultura também foi lembrada em nome de “Dante e Albina Mosconi”.
Ainda, Dante e Albina Mosconi foram os primeiros da história de Caçador a receberem o título de cidadão de Caçador ou Cidadão Honorário, atribuição da Câmara de Caçador por ter prestado serviços relevantes ao Município e se destacado pela atuação exemplar na vida pública e particular, sendo o mais antigo título atribuído ao casal de educadores italianos.
A lembrança dos pioneiros da educação em Caçador, dessa forma, estaria preservada...
Vide “Epopéia Mosconi” em - Pesquisa – Artigos - www.feibemo.com.br


PRIMEIRO DOMINGO DE JULHO DIA NACIONAL DO VINHO - A INSTITIIÇÃO DO DIA NACIONAL DO VINHO está associada à perspectiva de crescimento do setor no Brasil. Segundo o texto de apresentação do Projeto de Lei, mais de 16 mil famílias de produtores rurais estão ligadas à produção do vinho, além das mais de 600 unidades vinificadoras (produtoras de vinho), que empregam cerca de 200 mil trabalhadores. Assim, o objetivo da lei é
4 Colono era o trabalhador rural estrangeiro que veio para o Brasil logo após o fim da escravidão, no fim do século XIX, início do século XX, para substituir os escravos nas lavouras, em especial as de café. Eles trabalhavam em regime de colonato, ou seja, moravam em casas dentro da fazenda, trabalhavam nas lavouras e recebiam em troca uma parte da colheita ou então podiam cultivar para seu próprio sustento em certas partes de terra.
Eram trabalhadores livres e chegavam ao Brasil com o sonho de, com seu trabalho, comprar terras no país. Sonho este impensável na Europa de então. Mas as condições de contrato eram regulamentadas por lei e sempre beneficiavam mais os fazendeiros, que os trabalhadores. Assim, os colonos jamais liquidavam suas dívidas e continuavam dependendo do fazendeiro.
Mesmo assim muitos colonos conquistaram sua independência e até se tornaram grandes fazendeiros no país.
Hoje, no Sul do país, onde a imigração foi mais forte, a palavra ainda é usada para os trabalhadores rurais que tiram da terra seu sustento e para os descendentes dos antigos colonos. Existem as feiras dos colonos, onde eles vendem de frutas e verduras a doces e artesanato.


22 DE JULHO - DIA DO FILÒ, LEI MUNIC. Nº 2.662 de 20/11/2009, com nova redação - 2.931 de 16 de agosto de 2012

Palavra Livre – 24/07/2012 – Câmara Municipal de Vereadores de Caçador-SC
Ms. Aliduino Zanella - www.feibemo.com.br – Membro do Conselho Municipal de Cultura da FMC

Filò significa encontro de famílias à noite, tempo que decorre entre o jantar e a hora de ir dormir. É originário da Itália, predominantemente da região Norte, durante os três longos meses de inverno com muita neve. Época difícil e de muita pobreza por que passava aquele país arrasado pelas guerras. Os camponeses, sem terra, passavam séries dificuldades de sobrevivência. Além da falta de comina em seus humildes casebres, a lenha era escassa ou quase inexistente. Para não morrerem de frio, famílias próximas reuniam-se em estábulos junto às vacas para aquecerem-se. Nessas ocasiões não havia muito o que fazer a não ser debulhar milho, trabalhos manuais e conversar ou entreterem-se em contar anedotas (raconi, legende e fiabe).
Esse costume foi trazido para o Brasil, por ocasião da imigração. Aqui, ao possuir sua própria terra e com a labuta diária através do trabalho em fazê-la produzir, as condições de vida foram gradativamente melhorando. Dessa forma acrescentaram ao Filò farta iguarias da culinária, o “brodo” e o vinho.
E por manter arraigada na colonização essa tradição, instituiu-se o “Dia do Filò” em Caçador através da Lei municipal nº 2.662 de 20/11/2009, projeto de autoria da vereadora Sirley Tibes Ceccatto. Portanto, no dia 22 de julho comemora-se o “Dia do Filò em Caçador, e nesse momento, fazendo pedido aos nobres legisladores, sua inclusão no calendário municipal, juntamente com Dia da Bocia e o Dia do Quatrilho.

JUSTIFICATIVA das datas e breve histórico:

Dia 22 de julho – Dia do Filò – costume dos imigrantes italianos colonizadores de Caçador, famílias próximas a reunirem-se nas noites frias de inverno, horário após o jantar até à hora de ir dormir, em uma residência a comemorarem, seja aniversário, festa ou pelo simples fato de reunirem-se a tratar de negócios, conversar, jogar quatrilho onde a família que recebia as demais, muitas vezes de surpresa, servia brodo, carne lessa, grùstoli, pien, cuche e outros pratos da culinária Taliana e sempre presente o bom vinho produzido na própria colonial. Aliduino Zanella, neto de imigrante italiano e incentivador da cultura Taliana, criou-se em meio a esses costumes, e por esse motivo, anualmente realiza em sua residência o Filò em data de seu aniversário. Por esse motivo a data do dia 22 de julho fora escolhida.
Dia 03 de outubro – Dia da Bocia – Outro costume muito difundido em Caçador fora trazido pelos colonizadores italianos que, em 2004, dois caçadorenses, atletas da Sociedade Caçadorense de Bochas, Alcides Tonietto e Odelar Pizzatto, sagraram-se campeões do Campeonato Brasileiro de Seleções de Máster de Bochas, da Seleção Catarinense. Por esse motivo a data de 03 de outubro fora escolhida.
Dia 14 de dezembro – Dia do Quatrilho – A exemplo do Filò e da Bocia, os colonizadores de Caçador difundiram esse belíssimo jogo, que na verdade é quase uma ciência. Uma vida de jogador, desse jogo, ainda sempre tem o que aprender. A data fora escolhida por Caçador ser um dos município de colonização italiana em que essa prática é mais difundida. Em 14 de dezembro do ano de 2008, por iniciativa de Ricardo Pelegrinello, criou-se a primeira associação de quatrilho do Brasil, a Associação dos Amigos do Quatrilho de Caçador. A data de 14 de dezembro fora escolhida em homenagem a constituição dessa entidade.

25 DE JULHO - DIA DO COLONO, INSTITUIDO PELA LEI FEDERAL Nº 5.496, DE 5 DE SETEMBRO DE 1968
Palavra Livre – 24/07/2012 – Câmara Municipal de Vereadores de Caçador-SC
Ms. Aliduino Zanella - www.feibemo.com.br – Membro do Conselho Municipal de Cultura da FMC

Outra data, 25 de julho, comemora-se o “Dia do Colono” instituído pela Lei Federal nº 5.496, de 5 de setembro de 1968.
Colono, no Brasil, se relaciona ao trabalho da terra em duas situações:
A primeira, acontecida no Estado de São Paulo, devido à experiência dos núcleos coloniais ter sido menor, o termo colono se refere ao empregado da fazenda, que trabalhava por meação, ou seja, recebendo metade do que produzia e deixando a outra metade para o proprietário das terras. Para melhor entendimento, a narrativa a seguir ilustra essa situação:
“Meu avô, quando veio da Itália em 1897, foi parar em uma fazenda de café em São Paulo, mais precisamente na fazenda da Sra. Veridiana Prado, grande dama da elite quatrocentona daquele estado. Ele, como os outros que vieram na ocasião, substituíram literalmente os escravos, inclusive moravam nas mesmas senzalas antes ocupadas por eles. Teoricamente eram trabalhadores livres, mas como dependiam do armazém local para a sua subsistência, mesmo limitando-se às despesas mínimas estavam sempre devendo para os patrões, pois o salário não cobria as necessidades básicas. Permanentemente em divida, não podiam nem pensar em deixar a fazenda, e os que eventualmente se arriscavam a fugir eram caçados pelo capitão de mato, aquele mesmo que antes caçava os escravos fugitivos. O que mudou, quando passaram a contratar trabalhadores livres no lugar dos escravos? Os imigrantes não eram açoitados, mesmo porque a relação que eles tinham com o trabalho era diferente da relação dos escravos com o trabalho, por razões culturais. (O debate sobre isso seria longo). Antes, o escravo ao menos era suficientemente alimentado, pois a morte dele era perda de patrimônio, depois, como empregados “livres”, se alguém morresse, não era problema do fazendeiro.
Vi há algum tempo um filme (documentário?) sobre imigração italiana, em especial sobre a travessia do oceano e a chegada na América. Era igual às notícias que temos sobre os navios negreiros, aqueles mesmos navios, aquela superlotação e aquela miséria, visão que coincide com documentos que chegaram até nós. E chegando na América, o critério para a seleção dos que podiam permanecer no país, entre outros itens, era semelhante ao que examinava os escravos na sua estrutura física. E se algum membro da família não correspondia às exigências deles, simplesmente era descartado e separado para voltar para a sua terra de origem, com os conflitos daí decorrentes, claro.” (Lydia Theresa Miotto Gabellini, Postado por Juremir em 17 de fevereiro de 2011).
A segunda situação, bem conhecida nossa, aconteceu nos Estados do Sul em que colono significa o trabalhador dos núcleos coloniais, estabelecimentos criados pelo Governo para introdução de imigrantes onde ele é proprietários de seu lote, mediante pagamento do mesmo ao Governo, e poder também trabalhar nas fazendas ao redor.
Caçador faz parte dessa segunda situação em que os numerosos filhos de imigrantes desta primeira colonização da Serra Gaúcha, se fixaram nessas terras férteis e a fizeram produzir.
Aqui em Caçador, em homenagem a esse colonizador, foi dedicado nome à Praça do Colono que se situa à rua Domingos Sorgatto. No entanto sem mencionar a origem desse colono. Na mesma praça........
É do colono, pequeno proprietário, juntamente com o ruralista, produtor em áreas maiores, que vem o impulso maior do desenvolvimento do país. Alem de alimentar quase 200 milhões, eles são responsáveis maiores pelo volume tão significativo das exportações brasileiras.
Este dia, apesar da lei estar em vigor há 44 anos, sua comemoração está aquém do seu devido merecimento.

11 DE NOVEMBRO - LEI Nº. 14.951 DECLARA O TALIAN PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL
Originada dos italianos e descendentes radicados em Santa Catarina, projeto de autoria do deputado Moacir Sopelsa, assinado pelo senhor governador em 11 de novembro de 2009, a Língua Talian, em sua configuração atual, é um amálgama de formas e expressões vinculadas tanto às línguas dialetais dos imigrantes italianos, como à portuguesa, construída no Brasil pelos colonizadores italianos.
Falar do Talian significa debruçar-se sobre a história do Império Romano, tarefa esta delonga. Para o momento objetiva-se fazer breve explanação de sua origem e o que o mesmo representa para a colonização italiana em Santa Catarina, em especial à colonização de Caçador.
Tudo teve início na Europa, pois na época havia uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que, aos poucos, ao longo dos séculos, transformaram-se em alguns idiomas distintos como o francês, o português, o espanhol e o italiano. Portanto, o que hoje chamamos de francês é, na verdade, uma versão do parisiense medieval. O português, o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Em consequência de vitórias capitalistas, a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro. Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Sua unificação ocorreu somente em 1861.
O atual Estado Italiano foi fundado em 17/03/1861 (L’Unità D’Italia) com a união dos Reinos de Piemonte e Nápoles, seguindo com a incorporação de vários outros Ducatos. (statarelli italiani pré unitari). O Registro Civil italiano inicia em 01.01.1866, seguido por 01.01.1870 em Roma e Lazio, 01/09/1871, para Veneto e Friuli, 01/01/1924 aos ex territórios trentinos. Antes os registros eram feitos pela Igreja Católica, e nem sempre são bem conservados, ou mesmo consultáveis. O italiano padronizado, usado hoje na Itália, é descendente dos dialetos da Toscana, especialmente aquele falado em Florença, um dos mais importantes centros culturais da História italiana, usado por Dante Alighieri, o maior escritor italiano. Com a unificação italiana, o dialeto de Florença foi escolhido como língua oficial italiana. Em 1861, ano do Rissorgimento italiano, apenas 2,5% da população italiana se comunicava em italiano e outros 10% compreendiam a língua. A esmagadora maioria da população nem ao menos possuía conhecimento deste dialeto como língua oficializada. O italiano só tornou-se dominante nos últimos sessenta/setenta anos, com a alfabetização em massa da população italiana e o desenvolvimento de tecnologias como a televisão, que contribuiu para a divulgação da língua italiana. Na década de1950, o italiano ainda perdia para os dialetos: 18% da população se comunicava na língua oficial, 18% alternava entre dialeto e italiano e 64% usava algum dialeto. Ultimamente, 44% da população italiana usa apenas o italiano, 51% alterna entre italiano e dialeto e apenas 5% fala apenas dialeto.
As informações em voga existentes sobre a Imigração Italiana, contemplam o período entre 1870 -1900, aquela dos agricultores que vierem ao Brasil para substituir a mão de obra escrava, promovida por Dom Pedro II e família. Tanto que a primeira leva de imigrantes (1875-1880) foi Trentina, que veio dos atuais ex-territórios do Império Austro Húngaro, casa real da mãe do Imperador, a Princesa Leopoldina.
Intensificou-se a imigração entre os anos de 1875 e 1935, com aproximadamente um milhão e meio de italianos. Estima-se que atualmente mais de 30 milhões sejam descendentes. Portanto, o uso dos dialetos, nessa época ainda era predominante. Como a concentração da imigração vêneta aconteceu predominantemente no sul do Brasil em colônias rurais isoladas, quase sem comunicação com centros, contribuiu para o enraizamento do dialeto vêneto. Por viverem de certa forma isolados na zona rural, esses italianos e seus descendentes foram o único grupo que conseguiu manter o idioma vivo no Brasil, falado atualmente por alguns milhares de brasileiros. O dialeto, contudo, sofreu forte influência do português, e manteve expressões e léxicos que desapareceram na Itália. Para diferenciá-lo, utiliza-se hoje o nome talian.
O estado de Santa Catarina foi o estado que mais recebeu italianos, pela imigração ocorrida no Sul do Estado e pela migração proveniente do Rio Grande do Sul, fenômeno ocorrido no Meio Oeste e Oeste do Estado. Estima-se que Santa Catarina ultrapassa 60% de sua população.
Em Caçador a colonização deu-se após a construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, vindos em sua grande maioria das velhas colônias do Rio Grande, exatamente dos que mantiveram vivo o falar vêneto, hoje denominado de Talian, patrimônio imaterial histórico cultural dos estados de Santa Catariana e do Rio Grande do Sul.
Atualmente verifica-se um renovado interesse em se manter esse idioma no Brasil meridional através de sua inserção em currículos escolares, da mesma forma que se está fazendo com o idioma alemão nas zonas de colonização alemã e com o espanhol nas zonas fronteiriças à Argentina e ao Uruguai. O Talian é reconhecido no Inventário Nacional de Diversidade Linguística, realizado no final de 2010, por decreto federal que contemplou o desejo das entidades que tratam da cultura italiana no Estado e no País, sendo a primeira língua a solicitar reconhecimento.
Esse interesse dos falantes dessa língua Talian deve-se ao movimento de resgate, preservação e divulgação, pois viva está na memória de seus descendentes, os sofrimentos que enfrentaram embrenhados em meio à mata sem condições e conforto e que foram vítima da violência durante o Estado Novo Brasileiro, durante a II Guerra Mundial. A expressão “dopo l’oio” que está hoje ainda muito presente em todo descendente, é causa ainda traumática dessa violência. Só para ilustrar, um trabalho realizado em Santa Catarina pela pesquisadora, Anita Moser, dentre os vários relatos por ela coletados, destacamos alguns, como por exemplo: Colocavam na cadeia vinte e quatro horas, soltavam e mandavam embora. Estes não apareciam mais em público, falando italiano. Era mais para intimidar que eles faziam isto (Homem, 70 anos). Além da prisão de vinte e quatro horas, havia outra prática empregada com o objetivo de intimidar, amedrontar e imobilizar: a ameaça de ter que tomar óleo de rícino ou lubrificante como castigo. Falavam que tinham dado um garrafão de óleo para alguém que não sabia falar português. Isto se escutava, não se sabe! Garganta abaixo como se dá para o gado! Escutava-se isto, e por isso todos ficavam com medo e não se falava. Ficavam com boca fechada e não saíam de casa. Isto foi muito forte. (Mulher, 71 anos). Outra prova disto, eis um decreto da prefeitura de Blumenau, em sua integra: ....
Art. 1º - Ficam terminantemente proibidas inscrições nos túmulos, mausoléus, louzas, cruzes ou quadros dos cemitérios deste município, em línguas vivas estrangeiras.
§ único – As inscrições assim existentes devem ser, no prazo de sessenta dias, vertidas para a língua nacional ou retiradas, sob a pena de a Prefeitura o fazer, além da multa de 100 $00 (cem mil réis) que será aplicada aos infratores.
Art. 2° - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Prefeitura Municipal de Blumenau, 8 de dezembro de 1938.
José Ferreira da Silva Theodolino Pereira.


Questo zé par i taliani de Caçador:
...Strucai come le sardele tei bastimenti, ognuno el parlava la so lìngua e, in prinsìpio, i fea fadiga capirse. Ma, intanto che i giorni passava, i se capia sempre meio. E le lìngue diverse, ancora durante el viaio, le ga tacà inestarse una con l’altra, par via dea necessità de capir e capirse.
Dopo, co i ze rivai te le so colònie, tanti, che i ga fato amicìssia durante el viaio, o che i zera de la medèsima regione, i se ga ciapà le colònie darente uno del’altro. E el parlar el deventava sempre pi compagno tra de tuti…
 


Pásqua & Cultura

 Pásqua, assieme co i sui sìmboli, la ze una comemorassion che la ga tanti significati, in diverse parte del mondo, atraverso i tempi. Il certo ze che scuasi tuti fa la so comemorassion, sensa, dele olte, saver la so significassion.

     Pàsqua, par quel che savemo, ze la festa dei cristiani e dei giudei. Da tuti i tempi, la celebra la libertassion del pòpolo ebreu dela schiavitù nel’Egito e il passagio traverso el Mar Rosso, ndove perde l’ànimo dele forse el Faraò a perseguire il pòpolo de Dio. Ze statà il passagio dela schiavitù del Egito per la libertà da tera promossa da Dio a Abrão. Per questo i giudei la celebrano solenemente.

     Par i cristiani, la Pàsqua tiene il propòsito de ricordar la salvassion de Cristo e dela redenssion del pecato e dela schiavitù, parche Gesù el ze stà piegà nela croce in tela Pàsquaa, come pegorin pasqual, quel che liberta il pecato e dela morte a tuti quei che Lo crede.

     Na ciesa catòlica considera una dele celebrassion più importante del calendàrio cristiano. Ntela Setimana Santa, se và ala procission, se fà vigília, via-sacra, insenassion par ricordar la Passion de Cristo... Ala domenega, la festa dela Ressuression.

     La ciesa cristiana, dal prinssipio, adota sìmboli che vole a trasmitir il messagio dela  bona nova dela Salvassion e a tirar su i fedeli in tela fede cristiana. Traverso i segnai, la cesa de incoi, tanto quanto la cesa del passà ga podesto veder il segnal de che Dio li ama e li coduce, che sono il pegorin, la candela – círio, formento, ua, vin, pese, ovo, cunicio, colomba, croce e il sepolcro vuoti...

     Il sorgimento dei ovi de ciocolato i ze del séc. XVIII, per la so mancansa, la tradission europèa li sconsea par dopo cercarli. Gran scoberta dei confetieri francesi a inventar ovi fati de ciocolato. Quel costume el ze sta portà al Brasil dai imigranti tedeschi.

     Il tel comèrsio, quantità de ovi fati de ciocolato e conìci. In tele scole, poareti tosatei e tosatele a vegner fora con le rècie longhe e la fàcia querta de tinta a assomeliar conìci.

     Par i imigrati taliani, la Pàsqua, sora tuto, la ze religiosa. Ala matina a messa e al mesdì, disnar con tuta la fameia riunita a casa dei genitori, par quei che ga la gràssia de averli ancora vivi. Cossì come i fa in tel Nadal.

     Incoi tuto ze cambia. Se magna surasco e se beve bira o refri che fa mal per la salute. Se magna da sgionfarse. Dopo el surasco viem fora tuti tipi de dolsi e cosi qualquedum ancora guida per ndar casa. Mà, la magioransa dele fameie reunite se diverte in confraternisassion.

      Con la cultura le pràtiche religiose dela fede cristiana le va de generassion a generassion d’acordo con la definission dela Unesco – “Patrimònio Cultural Imaterial le pràtiche, rapresentasione, espressione, conoscimenti trasmessi de generassion a generassion i costantemente refati par le so comunità i grupi d’acordo e assieme ai sui ambienti con la natura e so stòria a produre sentimento d’identità a continuare, cossì a promovere rispeto ala diversità cultural...”

 

Una bona Pàscoa a tuti 

Aliduino Zanella

FEIBEMO/2013

   Pásqua & Cultura  (tradução)

     Páscoa, juntamente com os seus símbolos, é uma comemoração que tem vários significados, nas diversas partes do mundo, através dos tempos. Certo é que quase todos a comemoram, ou por um motivo ou por outro. Páscoa cristã é o que comemoramos, sem, às vezes, saber ao certo os porquês. 

     Páscoa, pelo pouco que sabemos, é a festa dos cristãos e dos judeus. Em termos históricos, ela celebra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito e a passagem através do mar Vermelho. Era celebrada solenemente pelo povo judeu desde Moisés, para comemorar a passagem do Mar Vermelho, onde sucumbiram as forças do Faraó que perseguia o povo de Deus. Foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. Por isso os judeus a celebravam e ainda celebram solenemente. 

      Para os cristãos, a “Páscoa tem o propósito de lembrar a salvação em Cristo e da redenção do pecado e da escravidão, pois Jesus foi crucificado na Páscoa, como cordeiro pascoal, que liberta do pecado e da morte todos aqueles que nEle crêem.”.

     A igreja católica considera uma das celebrações mais importantes no calendário cristão. Na Semana Santa se participa da procissão, se faz vigília, via – sacra,  encenação para relembrar a Paixão de Cristo... No domingo, a festa da Ressurreição.

     A igreja cristã, desde o seu início, adotou símbolos que queriam transmitir a mensagem da boa-nova da Salvação e edificar os fiéis na fé cristã. Através destes sinais, a igreja de hoje, tanto quanto a do passado pode ver o sinal de que Deus os ama e os conduz, que são o cordeiro pascal, a vela – círio pascal, o trigo e a uva, o vinho, o peixe, o ovo, o coelho, a colomba pascal, a cruz e o túmulo vazios...

     O surgimento do ovo de chocolate na Páscoa se deu a partir do Séc. XVIII, em substituição aos ovos duros e pintados que, na tradição européia da época, eram escondidos nas ruas e nos jardins para serem caçados. Foi uma descoberta fabulosa dos confeiteiros franceses que inventaram esse modo atraente de apresentar o chocolate. O Costume dos ovos pendurados na árvore fora trazida para o Brasil pelos imigrantes alemães.

     No comércio, quantidades de ovos feitos à base de chocolate e coelhos. Nas escolas, pobres meninos e meninas, saem de orelha comprida e de cara pintada imitando coelho.

     Para os imigrantes italianos, a Páscoa é, acima de tudo, religiosa. Pela manhã assistir a missa com a comunhão. Ao meio-dia almoço festivo com a família reunida. È um dia como o Natal em que a família toda se reúne na casa dos pais, para aqueles que têm a grassa de tê-los ainda vivos.

     Em nossos dias tudo mudou.  Come-se churrasco bebe-se cerveja ou refrigerante que contem substancias que fazem mal a saúde. Costume de comer e beber até estufa-se. Após, todo tipo de doces e o retorno para suas casas a dirigir, ainda que seja uma minoria que procede dessa maneira. A maioria das famílias se reúne para passar o dia de Páscoa em alegria e confraternização junto aos seus.

     Em tratando-se de cultura, práticas religiosas de fé cristã que se perpetuam de geração em geração, estão em acordo com o que define a Unesco, “Patrimônio Cultural Imaterial as práticas, representações, expressões, conhecimentos que são transmitidos de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural...”.

Uma boa Páscoa a todos

Aliduino Zanella

FEIBEMO/2013